quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Poluição: Praga que Mata sem Dó




Tem gente dizendo que não sou um Palhaço engraçado. Digo também que não sou um Palhaço Triste. Posso ser Caótico.
Na verdade fico agoniado com certas coisas da minha gente humana. Até parece que o Mundo virou uma imensa televisão que todos assistem com a bunda atarraxada no sofá, quase sempre sem mudar de canal.

Seria ótimo se todos assistissem a este "Globo", o real, não o da mentira e ilusão - que aliás só mostra tragédia e desilusão.



Sabe qual foi a última que me deixou assim tão chateado? Aconteceu da seguinte forma. Um amigo ligou do hospital, pedindo por uma visita. Falei que não sou daqueles Doutores da Alegria ou do Riso; não sirvo pra isso. Adoro mesmo é uma folia.
Marcamos uma tarde. O interno não estava nada paciente. Perguntei pelo o que lhe tinha sucedido para acamado assim ficar.
Entre tosses, espirros e assoadas contou:
"Apophis, meu velho... removi de escola para poder ter uma vida profissional mais tranquila. Comecei o ano em uma escola com poucas salas e alunos. Ótima direção e coordenação. Gostei dos colegas professores e dos alunos. Comecei até mesmo a andar mais a pé do que de carro e ônibus... fazendo cerca de cinco a seis quilometros de caminhada por dia. Andava da escola até a academia, aonde fazia mais uns doze quilometros entre esteira, bicicleta e um outro treco onde a gente anda sem colocar os pés do chão. Fora a musculação e algumas aulas de alongamento, yoga, abdominais e até uma que a gente fica pulando feito louco ao ritmo de música sobre uma reduzida cama de..." Palhaço - completei. "Sim...isto mesmo - deixei que continiuasse, percebendo que havia ficado constrangido - Fiz tudo isto na intenção de dar sumiço nesta irritante pança. - mostrando-me aquela bola escondida por debaixo do lençol azul anil - .
"Apophis, o médico disse que moro num dos piores bairros de São Paulo. Pior por ser plano, baixo, sem morros, sem muitas praças e muito pouco arborizado. A corrente ar bate na Cantareira e retorna para baixo com muita pouca úmidade. Por morar muito próximo da marginal do Tietê e da Avenida Inajar de Souza, ocorre um aquecimento do ar, acumulando os agentes poluentes soltados pelos caminhões e ônibus a diesel, além daqueles poluentes vindos dos carros - houve um aumento muito grande de automóveis circulando na cidade. Olha Apophis, tudo isto acabou fazendo com que eu ficasse assim, gripado e praticamente alérgico aos poluentes."


Isto tudo é horrível - comentei
"O pior não é isto. Sabia que estou rodeado por milhares de corintianos?"
Você deve estar morando no inferno- argumentei entre risos.
"Esta é também a minha impressão. As vezes tenho vontade de jogar tudo pro ar. Ando horas pela Inajar, debaixo do Sol. Se no lugar do boné colocasse um ovo estrelado, ficaria frito em menos de duzentos metros de caminhada."

Pensei que o meu amigo Adervaldo Moreira estava ficando era mau da Moleira, digamos quase como um "Lunático":

"Pobre Adervaldo.

Pode ser que esteja coberto de razão: Poluição do ar, poluição sonora, vizinhos corintianos...
Como se uma praga urbana o devorasse por dentro... corroendo sua ilustre mente.
Olhei para o chão... senti que algo molhava a pintura do meu rosto.
Ouvi alguém gargalhando.
Adervaldo sorria e gargalhava olhando para a minha triste figura.
Franzi a testa, caiu em gargalhada.
Enruguei o rosto, quase o matei de tanto rir.
Ergui-me da cadeira e vesti a cartola.
Adervaldo riu em prantos.
Pediu-me entre tosses e risos para não ir embora.
Uma imagem veio em mente:
São Paulo é carro,
O povo de São Paulo tá ficando demente;
Poluindo a mente de toda essa gente.
Adervaldo Moreira agradeceu por ter ido.
Adervaldo ficou feliz porque um Palhaço o ouviu sem lhe torcer o nariz.

Apophis Coizaetal


Nenhum comentário: